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SAPATEIRO SURREALISTA

Este senhor de aparência meio estrábica e impressão de desastrado vive com as mãos em solados de calçados e a mente voando pela estratosfera da arte surrealista. É Adeildo Assis, um sapateiro periférico de Salvador, que também é pintor e artista plástico, agindo sob o pseudônimo de Adeasis. O sapateiro existe para o artista não morrer de fome. O pintor existe para o sapateiro não morrer de tédio. Como herdeiro das técnicas de Salvador Dali, ele tem um sucesso relativo: suas telas têm qualidade e algumas já chegaram a ser expostas no exterior. Mas não garante o sustento vendendo sua arte, que é de difícil comercialização para os apreciadores baianos. Sua fonte de renda provém do conserto de saltos, do remendo de solados, do acerto de tiras de sandálias. Seu pequeno atelier, que também é oficina de calçados, fica repleto de telas e sapatos em uma disposição caótica. Recebe a visita de quatro a cinco clientes por dia, que veneram o ofício de restaurador calçadista, mas dão pouca bola a seus delírios estéticos com pincel e imaginação.
Para viajar nessa história de sonho e realidade, dê uma pincelada aqui.
Escrito por Pablo Reis às 08h00
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