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MULHER DE PALAVRAS
Esta senhora ao lado do marido com o olhar oblíquo dos sonhadores se chama Heloísa Rodeiro, uma conhecida frequentadora das mesas da solidão boemia no bairro do Rio Vermelho. Ela posa aí ao lado do companheiro de quase 35 anos, porque se dizem inseparáveis, unha e carne, almas gêmeas, cara e coroa. Apesar da união declarada por três décadas, ele é do sol e ela, da lua. Acorda às 16h diariamente, toma um banho e sai para uma labuta noturna que nunca acaba antes das 6h da manhã. Ele, ao contrário, acorda quando a esposa está chegando para dormir e fica sentado no sofá de casa fumando três carteiras de cigarro até o início da novela das 18h e rabiscando um ou outro delírio satírico ou verborrágico. Poderiam ser incompatíveis aos olhos do mundo, mas são totalmente dependentes entre si. Ele escreve poemas com algum valor literário. Ela jurou que faria de tudo para vender sua produção de versos ainda sem o devido reconhecimento. Por isso, visita os proscritos do Rio Vermelho, os boêmios, os artistas e intelectuais, oferecendo amor e prosa em fascículos. É o pagamento da dívida máxima: "A esse homem eu devo a minha vida". Heloísa, sem nenhuma pretensão a erudita ou escritora, faz da sua oração uma declaração sem rima de sentimentos.
Para conhecer melhor essa história de estrofes e superação, clique aqui.
Escrito por Pablo Reis às 15h47
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