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ENCANTADOR DE POMBOS
Um homem se curva para alimentar pássaros na Praça Municipal. Os olhares se voltam para o gesto silencioso e gentil do anônimo, um encantador de pombos no centro de Salvador. Na rua, coadjuvante na paisagem árida pela falta de sensibilidade contemporânea, ele não tem nome, é um arlequim mascarado pela indiferença. Em uma viela do bairro do Cabula V, ele é Alberto Souza Nascimento, desempregado há quatro meses, que junta migalhas do próprio dinheiro para dar de comer aos símbolos alados da paz. Alberto, separado, pai de cinco filhos com três mulheres diferentes, já não recebe mais o seguro-desemprego e, sabe-se lá como, arruma dinheiro para pagar R$100 de aluguel num quartinho onde acumula roupa, comida escassa, fogão, produtos comésticos. Entender como ele consegue fugir dessa realidade de carestia para se trancar no isolamento público de seus pombos é quase um milagre. Que não está de todo descartado. O cidadão já fundou até igreja de seis componentes: a Congregação Pentecostal Roda de Fogo.
Para voar por essa história de delicadeza paradoxal, decole por aqui.
Escrito por Pablo Reis às 20h14
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