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POLIGLOTA ACIDENTAL
O jovem que aí sorri tal qual um promissor vocalista de pagode se
chama Jônatas Ventura Ferreira, tem 14 anos e, apesar de morar na periferia,
realizou o sonho de muitas patricinhas dos bairros nobres de Salvador e do
Brasil: apareceu, por uma semana inteira, em praticamente todas as televisões e
jornais da cidade. Para conseguir a fama fugaz, Jônatas precisou apenas de
algumas palavrinhas, sem trocadilho. Ele mostrou que poderia dialogar em inglês,
italiano, espanhol, francês, trocar algumas impressões em alemão e até no
chinês. Tudo isso aprendido nas andanças como vendedor de amendoim para turistas
dos cartões postais de Salvador. O problema é que ele mesmo tem vergonha de
admitir que está na segunda série primária na escola e fica todo desconcertado
quando alguém pede para ele escrever uma linha sequer (até mesmo o próprio nome)
em português. "It´s a joke", responde, tentando mudar de assunto.
Para ler essa história de muitos idiomas e pouca alfabetização, clique aqui.
Escrito por Pablo Reis às 11h48
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COMPASSO DE MISSIONÁRIO

Este homem com bíblia a tiracolo e aparência de vendedor de
consórcio de carros se chama Reinevaldo Silva, tem 39 anos e um passado que ele
mesmo condena como herege. Está longe de parecer, mas o calvo personagem
atendia, uns 10 anos atrás, pelo nome de Rey Zulu, foi um dos precursores da axé
music, escrevendo canções que iam buscar inspiração até no Egito: Osíris,
proclamou matrimônio com Ísis, e o Mau Set irado o assassinou e
impera. Foram muitos sucessos como Meu bem quero te amar ("Eu sou camaleão, sou
seu amor/ Vem me dar um beijo"), Libertem Mandela ("De geração em geração/ que é
discriminado o negão/ e hoje somos cultura/ nosso grito de força é a nossa
união"), Batuque ("Tá no batuque que balança, nêgo/ Ah, ah, pode me telefonar")
e Uma história de Ifá, mais conhecida como Elejigbô ("Cidade reluzente,
Elejigbô/ Cidade florescente, Ejigbô"). Mas ao que parece todo esse burburinho
da fama deve ter provocado consequências desastrosas no corpo e no espírito
do antigo compositor. Com 1,65m, hoje ele prefere ser chamado de Reizinho
de Jesus, ou Missionário Reinevaldo. Renegou a umbanda que usava para fazer
trabalhos garantindo o sucesso das músicas e integra uma religião
evangélica e apresenta um programa gospel às segundas (das 5h30 às 6h), na TV
Aratu.
Para conhecer essa história de candomblé, conversão e música, clique aqui.
Escrito por Pablo Reis às 11h36
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